O PACTO DE AMOR ETERNO SEGUNDO HERCULANO: TRANSGRESSÃO E CASTIGO

Ana Márcia Siqueira

Resumo


Alexandre Herculano consolidou-se como o precursor dos romances históricos portugueses, produtos da harmonia entre o trabalho de recolha das fontes históricas medievais e seu projeto estético. A produção deste escritor revela, porém, um lado sombrio pouco estudado, influenciado pelos romances góticos e por baladas macabras de origem alemã e inglesa, que põem em discussão a representação do mal e do horrível nas relações humanas. O passado luso, sob a perspectiva herculiana, é desenhado por cores melancólicas e reflexivas. Esse apelo melancólico é ainda reforçado pelo caráter essencialmente saudosista do Romantismo português, cuja marca destaca-se em produções com características góticas, na poesia, na balada e no conto. Tendo em vista o exposto, o trabalho objetiva discutir como o elemento macabro, presente nas baladas recriadas por Herculano, manifesta-se como meio de castigo pela transgressão de juramento feito entre amantes. O tema tradicionalmente motivador dessas baladas europeias é o pacto de amor eterno feito no momento da separação do casal apaixonado. Este termina em prova de fidelidade, quando supera a morte, ou em traição, quando acarreta uma maldição. A temática adquire uma importância maior no contexto do Romantismo português, visto que o tema da separação dos casais sempre esteve presente na história portuguesa, desde a necessidade de ir combater castelhanos ou mouros ao embarque nas naus para conquistas de além mar. Embora os cancioneiros portugueses oitocentistas apresentem castigos mais amenos para a transgressão do pacto, Herculano privilegia os elementos macabros em suas recriações. Destarte, nossa análise baseia-se em uma perspectiva multidisciplinar, mediante estudos de Mário Praz, Victor Hugo, Maria Leonor M. Souza e Suzi Sperber, e atenta para o modo como a articulação entre pacto, transgressão e castigo se converge em um conjunto organizado conforme a estética do horrível.

 

PALAVRAS-CHAVE:  Pacto de amor eterno, transgressão, estética do horrível


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Revista Ininga, v. 1, n. 1 - Segundo semestre de 2014