DE MEDIAÇÕES E SUBALTERNIDADES: O LUGAR DE MIGUEL TORGA E MANUEL DA FONSECA

Francisco Ferreira Lima

Resumo


Embora concebessem o mundo e a arte de maneira distinta, Miguel Torga e Manuel da Fonseca aproximaram-se na opção preferencial pelos pobres, a quem tornaram gente, com voz, sentimento e vontade, resgatando-os de uma invisibilidade que os fazia mais próximos de outros bichos que de humanos. Na obra de ambos desfila todo tipo de pessoa, capaz de tudo: do gesto mais sublime ao mais hediondo, como todo humano, afinal. O que singulariza e aproxima a obra desses autores, porém, é que suas personagens estão sempre marcadas por ou são vítimas dessa condição. Ao torná-los visíveis, fizeram o que deveria ser feito: desvelaram imensa riqueza interior num mar de pobreza exterior, evidente na aridez das paisagens em que estão inseridas suas personagens. Ricos por dentro, pobres por fora, eis o que se poderia dizer delas. Sem autores como Torga e Fonseca, pois, essas personagens manter-se-iam caladas e invisíveis para todo o sempre. Só através de sua obra, que funde ética e estética, elas puderam fazer-se ouvir. Em tempos de subalternidades ativas, ainda há muita gente calada. Nesse caso, a mediação ainda é fundamental. É disso que vai tratar a comunicação.

 

Palavras-chave: Paisagens. Subalternidades. Mediação.

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Revista Ininga, v. 1, n. 1 - Segundo semestre de 2014