O MODELO GTP (Geossistema – Território – Paisagem) Como trabalhar

Messias Modesto Passos

Resumo


A crise contemporânea da natureza fez da pesquisa sobre o meio ambiente uma moda e uma necessidade. O meio ambiente é, antes de tudo, um imenso questionamento, global e confuso, quase metafísico, que a sociedade faz a si mesma e, mais precisamente, ao conjunto da comunidade científica.         A recentragem motivada pelos conceitos de estrutura e de sistema, e do princípio de auto-organização, relançou a Ecologia em torno do conceito renovado de ecossistema e, a Geografia Física, em torno do conceito de Geosistema. Contudo, o conceito - unívoco e biocêntrico - de Ecossistema, e o conceito - unívoco e naturalista - de Geossistema, apesar de suas relevâncias, não são suficientes para diagnosticar-prognosticar o meio ambiente complexo e com diversidade.    A partir de 1990, Bertrand reconhece que não é possível abordar o meio ambiente – complexo e com diversidade –, a partir de um conceito unívoco, (ecossistema e/ou geossistema) e, então, propõe o modelo GTP (Geossistema – Território – Paisagem). O paradigma GTP, é uma construção de tipo sistêmico destinada a demonstrar a complexidade do meio ambiente geográfico respeitando, tanto quanto possível, a sua diversidade e sua interatividade. Nessa obra: O modelo GTP. Como trabalhar? apresentamos o embasamento teórico-metodológico e epistemológico que resultou na proposta de G. Bertrand. No entanto, ao aplicarmos esse modelo ao estudo das "transformações históricas e da dinâmica atual da bacia hidrográfica do ribeirão Santo Antônio" o nosso objetivo maior, foi construir um Guia que se preste de "modelo" a outros estudos, em outras áreas do território brasileiro.  G. Bertrand adaptou o conceito de geossistema - originalmente desenvolvido nos países do leste europeu a uma realidade distinta, a dos países da Europa Ocidental, com paisagens extremamente antropizadas, porém também às limitações dos recursos materiais dos laboratórios franceses, incomparáveis, nos anos 1960-80, com os soviéticos, simplificando e propondo um modelo mais qualitativo e antropizado. Aqui, nesse Livro-Guia, também fizemos adaptações, notadamente de caráter metodológico, de modo a viabilizar a aplicação desse modelo segundo a realidade da Geografia brasileira e, notadamente, da precariedade dos recursos financeiros (e por que não: tecnológicos?) que dispomos nas nossas universidades. Assim, a necessidade de enriquecer o modelo geossistêmico pela dimensão antrópica e cultural - de modo a dar conta do estudo da complexidade e da diversidade  do meio ambiente - leva Bertrand (e nós) a adotar o paradigma GTP, isto é, Geossistema ("dimensão antrópica de um conceito naturalista"), Território ("dimensão naturalista de um conceito social"), Paisagem ("dimensão cultural da natureza"). O essencial desse Livro-Guia é a busca constante de um modelo globalizador operacional para o estudo do meio ambiente inspirado desde a Geografia Física.

 


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DOI: https://doi.org/10.26694/equador.v5i1.4274

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Revista da Pós-graduação em Geografia, do Centro de Ciências Humanas e Letras da UFPI

 ISSN 2317-3491

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